Autora e Blog

Meu nome é Thaís, tenho 26 anos e nasci no Rio de Janeiro. Escrevo roteiros para filmes e series 'imaginarias' desde que me conheço por gente. Fiz 3 anos de teatro amador porque era a minha chance de saber como funcionava essa história de dramaturgia, lá tive oportunidade de participar de 3 peças, diversas esquetes e de escrever minha própria peça. Isso é mais que um hobby, é minha paixão. Não acredito que sou boa escritora, mas estou tentando criar um espaço para guardar as milhares de ideias que explodem na minha cabeça. Seja bem vindo e deixe seu feedback! Para ler mais contos, visite: »

A CIDADE CINZA

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PRÓLOGO

quarta-feira, 25 de junho de 2014


Era um domingo. Dia 24 de Junho de 2012. As crianças da cidade fantasiadas de caipiras do interior corriam e brincavam pelos corredores da velha escola de periferia. "Meu pai e o pai do meu pai estudaram aqui", disse ele a sua unica filha antes de deixa-la livre para se divertir com amigos da mesma idade, afinal, seis anos só se faz uma vez na vida e hoje era dia de comemorar. A esposa de Ezequiel, por sua vez, não tirava os olhos da menina Olivia. Medo de perde-la no meio da multidão de crianças brancas. Que bobagem! Era impossível não notar a presença dos longos cabelos cacheados da menina e a pele morena que puxou das raízes africanas da mãe, e os olhos de mel herdados da família europeia do pai. Ali estavam os Galvão em uma Festa Junina.


Ângela, a mãe, estava inquieta, quase descontente ou mesmo desconfortável naquele lugar. Havia algo que a incomodava e nem mesmo ela saberia explicar o que era. O olhar perdeu-se entre rostos desconhecidos, até que ela sem aviso levantou-se da mesa.

- Onde ela está? Olivia? Aonde ela está? - a voz sobressaltada em nada lembrava a tranquila professora de história que o marido conhecia a tantos anos.

- Amor, ela está brincando. O que houve? - Indagou o tão preocupado quando desconcertado marido.

- Nos precisamos ir embora. Agora! - Exclamou sem conversa e decidida, por isso o marido nem sonhou em questiona-la.

O casal passou a procurar pela pequena Olivia entre mesas, famílias reunidas, barracas com todos os tipos de doces e brincadeiras. Parecia uma festa que não tinha fim diante da preocupação que perturbava o coração de uma mãe. Mas foi numa brincadeira de roda que Ângela finalmente encontrou sua pequena, arrancando-lhe das mãos dos amigos para leva-la embora. Como toda criança ela reclamou, chorou e implorou, cedendo a força do mais velho.
Na entrada da escola, o pai lhes aguardava imaginando como seria a reação da filha que havia sido retirada de uma festa junina que ocorria exatamente no dia de seu aniversário. E foi mesmo como ele imaginou: lagrimas manhosas que ele secava com os polegares, e algumas brincadeiras carinhosas para animar uma criança insatisfeita.

- Já volto, ok? Vou pegar o carro. - Com um sorriso no rosto, daqueles utilizados para acalmar um outro ser, ele atravessou a rua em poucos passos. Buscou a chave no bolso da calça, estando prestes a encaixa-la no veiculo ao ser surpreendido por um barulho que a primeira impressão parecia ser um animal, mas acabou por revelar-se humano. - O que... O que você faz aqui? - O homem que se aproximou dele era alto o bastante para que Ezequiel tivesse que erguer o rosto para observa-lo. - Eu não disse que você não pode aparecer em publico? Para não me procurar? - Apesar de sussurrar as ultimas palavras, havia um tom de repreensão. E ainda assim o misterioso homem não parecia responder a coisa alguma. - Eu não queria fazer isso... - O monologo de Ezequiel continuou, enquanto sua mão buscava a pistola escondida em suas costas, logo direcionando-a para o corpo alheio.- ...Mas eu terei que te prender.

O homem silencioso não esperou por um disparo, atingindo o rosto de Ezequiel com os punhos antes que ele pudesse reagir e imediatamente deixando-o tonto. Esse momento de inercia foi rapidamente utilizado pelo agressor que seguiu desferindo golpes. A arma de fogo foi ao chão, assim como o corpo desfalecido do policial. Os seguidos murros continuariam, tamanha a brutalidade que fluía dele, mas por algum motivo ele parou, ergueu os olhos e farejou o ar. Ângela estava de pé a frente do homem e do que restava de seu marido. "Esse cheiro... É o seu cheiro.", foram as únicas palavras ditas por ele durante toda a agressão. E sua voz era horrivelmente profunda. A mulher nada respondeu. Naquele instante ela tinha olhos de harpia, tinha olhos de ódio que espantaram o criminoso para a escuridão da noite.

Ângela agora tinha os olhos de tristeza e a visão embaçada pelas lágrimas. Estava ao lado do marido, implorando por uma reação do rosto ensaguentado e desfigurado. "Reage, Ezequiel. Reage.", mas mal se ouvia a respiração, comparando-a aos pequenos passos da menina Olivia que se aproximava dos pais com o medo natural de quem observava uma tragédia.

Ezequiel Galvão, policial civil, pai e marido, assassinado cruelmente no dia de São João.

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