Autora e Blog

Meu nome é Thaís, tenho 26 anos e nasci no Rio de Janeiro. Escrevo roteiros para filmes e series 'imaginarias' desde que me conheço por gente. Fiz 3 anos de teatro amador porque era a minha chance de saber como funcionava essa história de dramaturgia, lá tive oportunidade de participar de 3 peças, diversas esquetes e de escrever minha própria peça. Isso é mais que um hobby, é minha paixão. Não acredito que sou boa escritora, mas estou tentando criar um espaço para guardar as milhares de ideias que explodem na minha cabeça. Seja bem vindo e deixe seu feedback! Para ler mais contos, visite: »

A CIDADE CINZA

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Prólogo - A primeira morte.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Sua pele era clara, contrastando com os fios negros e longos de seu cabelo. Seu corpo era esguio, como de alguém que desde criança praticava algum esporte. Natação? Ele apostava que sim, enquanto a observava do canto do salão. O lugar estava lotado, mas ele a seguia com o olhar fixo, sem perde-la de vista. Ela dançava, entre homens que a desejavam, entre amigos que a invejavam. Uma beleza iluminada, tão comum como admirável. Inácio poderia passar a noite escrevendo um poema sobre a jovem e intocada Joana. Intocada? É, ele podia sentir o cheiro de virgindade exalando por entre as pernas da menina. Uma menina de 17 anos chamada Joana Martins, mas que naquela noite usava a identidade falsa com o nome de alguém que ninguém mais lembraria.

Ele se aproximou. Movimentos tão suaves, o criminoso sorriso no canto dos lábios. Não foi preciso muito para chamar atenção de qualquer mulher no local. Esse era o seu talento. Era um conquistador, um desbravador, um assassino. E seu olhar tanto de assassino quanto de invasor encontrou-se com a inocência de Joana. O tempo parou por não mais que dois segundos. O bastante para que a curiosidade dela fosse despertada. E sem pensar, ela o seguiu para onde quer que ele fosse.

Lá fora a noite estava tão profunda, era uma criança, como no dito popular. E a estranha dupla seguia pelas ruas praticamente vazias. Inácio dois passos a frente, Joana sempre o seguindo, até então sem pensar aonde iria. Quem é você? O pensamento ecoou na voz fraca. Ele sorriu. Era comum vê-lo sorrir aquele sorriso silencioso que não diria nada além da ironia irritante do homem alto, de penetrantes olhos verdes. Talvez o homem mais bonito que Joana tenha visto em toda a sua vida. Antes que se desse conta estava em seu carro, ao som de alguma musica que só a deixava mais envolvida. Ele cantarolou e dirigiu. No inicio parecia sem rumo por um caminho que não daria em lugar algum, mas lá estava a praia entre os arbustos e vegetação rasteira do bairro da Barra da Tijuca no inicio dos anos 80. Saíram do carro. Ela não saberia explicar, porém, sabia exatamente o que precisava fazer: segui-lo, toca-lo, beija-lo. E o fez, desajeitada, mas decidida. Ele retribuiu. Novamente aquele sorriso. Que irritante ele era. Ainda assim, ela não conseguia resistir a toca-lo e a se deixar ser tocada. Um primeiro envolver de cintura, uma caricia sem medo, um beijo que seguia seu próprio ritmo, o coração disparado. Poderia ela estar apaixonada por um estranho? Nesse momento se deu conta de que nem o nome dele sabia. -  Qual o seu nome? - questionou quando o beijo se partiu. Não houve resposta e isto não a surpreendeu. A resposta do misterioso homem era distribuir beijos arrepiantes por seu pescoço, era deixar seu corpo em febre com mãos que se tornavam possuidoras da sua alma. Ela suspirou, sabendo que foi o toque entre suas pernas que o provocaram. A roupa intima, sua calcinha era afastada, deslizando pelas pernas lentamente, assim como qualquer movimento feito por ele. - Não quero te assustar - ele disse. E mesmo que quisesse não poderia, ela estava desejando, como nunca antes e se soubesse como pedir imploraria por mais.

Sua mente estava tão concentrada no pequeno prazer dos toques que só notou sua nudez quando as roupas estavam na areia. Não conseguiria negar nem se pudesse. Deitou-se como ele queria, abriu-se como ele queria. Obedeceu e obedeceria pelo resto dos dias. O homem deslizou entre as pernas dela em busca de dar-lhe um 'beijo' mais intimo, beijo este que confundia prazer e dor. A dor atravessava sua pele, como ser invadida, mordida, rasgada... Só então percebeu o que havia ali, apesar de 'perceber' não ser a mesma coisa que 'entender'. O que estava havendo? Os lábios de Inácio estavam marcados por sangue, pelo sangue de Joana, e ele sorria. O sorriso mais bonito, o sorriso mais irritante e o sorriso mais cruel em sua face enlouquecida e sedenta. Ele voltou a suga-la, alimentando-se da doçura de sua virgindade. E quando faltava pouco para a vida se despedir do corpo da jovem, ele a penetrou. Havia tanta força em seu movimento que nada lembrava seus movimentos anteriores e sutis. O homem só podia estar possuído e a jovem tinha certeza de que iria morrer nos braços dele. A melhor morte, ela sabia. Seus olhos se fecharam, seu coração não batia mais.


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Nota da autora:
Trilha sonora e inspiração
"Cry Little sister"


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